| Guia de Doenças |  | | Esquistossomose |  | | Descrição |
Nomes populares: Xistosa, xistossomose, doença dos caramujos, barriga d´água ou bilharzíose.
O que é: A esquistossomose é uma doença parasitária, transmissível, causada por vermes trematódeos do gênero Schistossoma. O parasita, além do homem, necessita da participação de caramujos de água doce para completar seu ciclo vital. Esses caramujos são do gênero Biomphalaria. No Brasil, somente três espécies são consideradas hospedeiros intermediários naturais da esquistossomose: B. glabrata, B. straminea e B. tenagophila. Na fase adulta, o parasita vive nos vasos sanguíneos do intestino e do fígado do hospedeiro definitivo, o homem. Possui baixa letalidade e as principais causas de óbito estão relacionadas às formas clínicas graves.
Distribuição no Brasil e no mundo: No mundo, a esquistossomose mansônica ocorre em 54 países, destacando-se os da África, Leste do Mediterrâneo, da América do Sul e Caribe. No Brasil, atinge 19 estados, sendo endêmica em Alagoas, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Espírito Santo e Minas Gerais. No Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e no Distrito Federal, a transmissão é focal, não atingindo grandes áreas. Dos estados não atingidos, Rondônia sofre intenso fluxo migratório de pessoas oriundas de áreas endêmicas. A expansão da doença pelo país se deu a partir do litoral, devido aos movimentos migratórios.
|  | | Transmissão |
Agentes causadores (patógeno e vetores): Parasita do ramo dos platelmintos (vermes achatados), da classe trematódea, da família Schistosomatidae, gênero schistosoma, denominado Schistosoma mansoni.
A transmissão ocorre por meio do contato com águas contaminadas com cercárias do S. mansoni. Os ovos do verme são eliminados pelas fezes humanas. Em contato com a água, os ovos eclodem e liberam larvas, denominadas miracídios, que infectam caramujos hospedeiros intermediários que vivem nas águas doces. Após quatro semanas as larvas abandonam o caramujo na forma de cercárias e ficam livres nas águas naturais.
O contato dos seres humanos com essas águas é a maneira pela qual é adquirida a doença. O período de transmissibilidade acontece a partir de 5 semanas após a infecção, o homem pode excretar ovos viáveis do verme nas fezes durante vários anos. Os caramujos vivem, em média, um ano. Quando infectados diminuem a duração de vida e sobrevivem liberando cercárias por semanas até meses. Já o período de incubação ocorre entre 2 e 6 semanas após a infecção.
|  | | Diagnóstico |
Clínico (principais sintomas): Na fase aguda pode apresentar febre, dor de cabeça, calafrios, suores, fraqueza, falta de apetite, dor muscular, tosse e diarreia. Em alguns casos o fígado e o baço podem inflamar e aumentar de tamanho. Na forma crônica a diarreia se torna mais constante, alternando-se com prisão de ventre, e pode aparecer sangue nas fezes. Além disso, o paciente pode sentir tonturas, dor de cabeça, sensação de plenitude gástrica, coceira no ânus, palpitações, impotência, emagrecimento e endurecimento do fígado, com aumento de seu volume. Nos casos mais graves da fase crônica o estado geral do paciente piora bastante, com emagrecimento e fraqueza acentuada e aumento do volume do abdômen, conhecido popularmente como barriga d´água.
Laboratorial (exames realizados): Exame parasitológico de fezes. Método Kato-Katz, que permite a visualização e contagem dos ovos por grama de fezes. Os testes sorológicos não estão disponíveis na rotina.
|  | | Tratamento |
O tratamento para os casos simples é domiciliar, com o uso dos medicamentos indicados pelos médicos e que têm distribuição gratuita na rede pública de saúde. As dosagens são definidas de acordo com a idade e peso dos pacientes. Já os casos graves geralmente requerem internação hospitalar e tratamento cirúrgico.
|  | | Prevenção |
Não existem vacinas contra a esquistossomose. A prevenção consiste em evitar o contato com águas onde existam os caramujos hospedeiros intermediários infectados.
Dicas de prevenção para viajantes: A esquistossomose é uma doença de transmissão eminentemente rural. Nesse sentido, é importante que as pessoas que vão fazer turismo ecológico e esportes radicais em qualquer município, se informem nas Secretarias Municipais de Saúde quais são as coleções hídricas que representam risco para contrair a doença. A transmissão urbana ocorre em coleções hídricas das periferias das cidades. Os viajantes devem obter informações sobre os locais de risco, se tiverem interesse em visitá-los.
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